Por Patrícia Douat* Fonte: http://www2.uol.com.br/modabrasil/forcas_moda/pash/index2.htm
Cada vez mais a pashmina, como é conhecida manta no Ocidente, vem demonstrando que chegou para ficar. Hoje é um dos itens indispensáveis no quarda-roupa da mulher elegante. Mas é indispensável conhecer um pouco mais sobre esta peça.
Muitos confundem a pashmina com o cashmere. Apesar de serem parentes próximos, existem substanciais diferenças entre os dois. O cashmere, originário da região de Cachemira, no norte da Índia, possui uma textura mais grossa e áspera que a pashmina. Feito da totalidade do pelo das cabras da montanha apresenta uma fibra mais grossa, por volta de 16 a 19 microns em diâmetro contra a grossura de 10 a 16 microns da pashmina. Esta diferença se deve ao fato de apenas o sub-pêlo da barriga das cabras selvagens serem usados para a produção da pashmina. Já o cashmere aproveita o pelo das cabras na sua totalidade. Por outro lado a confusão intensificou-se, em parte, devido a um acordo firmado pelo marajá de Cachemira, que dava a esta região direitos sobre toda a produção do Nepal deste material. Sendo assim, por muito tempo apenas a Índia podia produzir os tão cobiçados tecidos.
Em princípio, o uso da pashmina era reservado à nobreza. Tudo começou com uma peça shahtoosh , a mais fina de todas as tramas de pashmina. Por volta do século XVIII quando governador da Cachemira presenteou um visitante de Bagdá com um desses belos xales que este tecido tornou-se conhecido dos ocidentais. Esta peça terminou nas mãos de Napoleão Bonaparte que o deu a sua esposa Josephinne. Esta por sua vez demandou peças de todas as cores possíveis dando início, assim, a paixão ocidental pela pashmina. A suavidade da pashimina é devido ao tipo e a grossura do pelo usado na sua confecção. Esta fibra possui uma grossura inferior a 15 microns de diâmetro, o que é bastante significativo quando consideramos que o fio de cabelo humano possui uma grossura de 75 microns. Cada cabra selvagem produz de 80 a 100 gramas de pashmina por ano. Por outro lado, o shahtoosh é consideravelmente mais fino e leve que a pashmina, podendo uma manta deste material, passar facilmente por dentro de um anel. Shahtoosh é uma combinação da palavra persa Sha que significa “Rei” e toosh “xale”. Estes maravilhosos e cobiçados xales tem sido produzidos em Cashemira e disputados pelos nobres e poderosos por muitos séculos. Infelizmente, para colher a matéria prima do shahtoosh é necessário a morte do antílope que o produz. Sendo assim, sua exportação e venda nos países ocidentais foi devidamente proibida. Muitos produtores de pashmina dizem que a cabra doméstica, que pode ser facilmente criada, pode produzir uma pashmina da mesma qualidade que a selvagem e bastante similar ao shahtoosh. A diferença é que a pashmina pesa o dobro do shahtoosh, mas já se desnvonvem métodos de procesamento para a criação da shahmina , um fio intermediário mais leve que a pashmina clássica. Enquanto a pashmina é vendida por um valor que varia de US$50 a US$ 1.000 o shatoosh custa entre US$ 3.000 e US$ 15.000, ou mais. Dizem que entre 629 e 645, o explorador chinês Hsuan Tsang, viajando entre a Ásia e a Índia, ficou fascinado com a maciez e delicadeza do shahtoosh. O primeiro europeu a visitar a Cashemira, o francês François Bernier, registrou sua admiração pelos delicados xales em 1660. a partir de 1770 estes xales se tornaram o coqueluche da nobreza européia. Segundo o Catmando's Shoppe Craft, existem 3 tipos de pashmina:
Cuidar de uma pashmina não é difícil. Guarde seu xale enrolado para evitar desgaste na área dobrada. O ideal é mandar lavar a seco, mas se lavar em casa tome alguns cuidados. Não ponha na máquina, jamais. Lave à mão. Primeiro escove com delicadeza para remover o excesso de fibras. Basta lavar em água morna para fria, com um xampu natural e orgânico para cabelos com PH baixo. Muitos fabricantes usam o xampu Aveda, que consideram o melhor para isto. Para a secagem, torça delicadamente com a auxílio de uma toalha felpuda, estenda o xale para que reassuma seu formato natural e deixe secar sobre uma superfície plana, em área bem ventilada. Use uma escova bem macia para escovar o xale, levemente, na direção das fibras para afofá-lo. Passe com leveza com um ferro a vapor.
Ainda que o contexto varie de região para região, o budismo identifica algumas cores principais como importantes em uma variedade de circunstâncias e isto se reflete noas pashminas que mantiveram um status sagrado por centenas de anos:
Preto: significa a escuridão primordial. No reino da escuridão existe o som que não se ouve por ser tão alto que a audição não consegue captar. As maravilhas da criação podem se manifestar através do baixar gradual das vibrações. Ainda que o uso do preto nas imagens sagradas ou thangkas , seja recente, esta é uma cor altamente mística e de profundo significado esotérico. É a cor do ódio, transmutado, pela alquimia da sabedoria, em compaixão. Representa a eminência do absoluto, o limiar da experiência. É usado para terríveis ações rituais quando se dá a conquista radical do mal em todas as suas formas.
Vermelho: também importante dentro das pinturas religiosas é uma cor usada em poderosos rituais. É a cor da paixão transmutada em discriminada sabedoria. Sua associação com o coral, presente da Mãe Oceano aos homens, nos lembra nossa eterna fundação. O coral é uma das cinco pedras sagradas do budismo, logo esta cor simboliza a energia da força da vida. Protege contra a inveja e acredita-se que cure doenças e mesmo seja um antídoto contra envenenamento. É uma cor auspiciosa para a cultura tibetana, sendo uma das cores dos cinco Budas e a cor das vestes dos monges. Para os chineses o coral é o símbolo da longevidade e na Índia é usado para prevenir hemorragias.
Verde: representa, para os budistas, as qualidades de equilíbrio e harmonia. É a cor da natureza e da vida. Cor de um dos aspectos da deusa Tara, a deusa mais reverenciada no Tibet. Tara Verde representa a união do branco, amarelo e azul, cores simbolizando respectivamente os aspectos de paz, crescimento e destriução. A cor verde representa, também, o vigor da juventude e atividade. O Senhor do Carma budista, Amoghasidhi, associa-se a esta cor, reforçando a idéia de que verde é a cor da ação.
No que diz respeito ao uso de sua pashmina, o aspecto mais importante é saber que quanto mais uso seu xale tiver mais macio e suave este se tornará, proporcionando, assim, conforto e calor, tanto no sentido físico quanto no sentido emocional. |
Seguidores
terça-feira, 14 de junho de 2011
Pashmina - O que é?
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário